
CAMPOS DO JORDÃO - O ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa, Armínio Fraga, disse que o Brasil precisa criar condições para o país ter taxas de juros mais baixas, evitando, assim, uma pressão adicional sobre a taxa de câmbio.
Segundo Fraga, a nova rodada da crise global encontrou o Brasil em uma posição mais saudável, o que abre espaço para que o país saia um pouco desse cenário de turbulência para avaliar seus erros e acertos do passado. "Do ponto de vista global, estamos vivendo um momento de grandes tensões e riscos. A recuperacao da enorme crise de 2007, 2008 e 2009 tem sido muito fraca e agora corremos o risco de uma nova recessão, o que seria bastante grave", afirmou durante abertura do 5o Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais.
Fraga destacou que o momento atual é diferente do passado, quando a crise foi provocada por um quadro de alavancagem privada, enquanto agora vivenciamentos uma crise de dívida pública. "Os bancos centrais de todo o mundo já conduzem há algum tempo políticas monetárias expansionistas. Hoje, Suíça e Cingapura praticam juros negativos, algo antes inimaginável."
Para o ex-presidente do BC, o país precisa de um governo mais eficiente. "Não há caso de história bem sucedida de desenvolvimento que não contou com governo eficiente. O Brasil tem muito a avançar nessa área. Precisamos ter taxas de juros mais baixas e não podemos deixar de encarar também o custo Brasil", disse.
Fraga elogiou ainda a mudança no mix da política macroeconômica do governo da presidente Dilma Rousseff, "com a clara opção de segurar o lado fiscal, deixando espaço para a política monetária", de forma a perseguir finalmente uma taxa de juros mais baixa. "Vejo com bons olhos os sinais que passa o governo da presidente Dilma. Ela deixou claro que os brasileiros optaram por governo grande e que é dever do governante fazer com que ele seja eficiente. Há uma clara demonstração de intolerância com a corrupção, que corroi as entranhas do país", afirmou.
Para o presidente do conselho da BM&FBovespa, o Brasil precisa ter coragem de abordar a questão fiscal de longo prazo e criar condições regulatórias para aumentar investimentos em infraestrutura. Segundo ele, a questão da infraestrutura é hoje uma barreira ao crescimento, mas pode ser oportunidade de investimento se criarmos essas condições.
No que diz respeito à BM&FBovespa, Fraga afirmou que a bolsa segue em conversas com o governo para chegar a regras "mais justas" para o mercado, numa referência ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na negociação de derivativos. "A experiência internacional mostra que medidas como essas só se mostram eficientes quando focadas em fluxos de curto prazo. E isso reforça a importância de abordar e aprofundar as questões principais para que a taxa de juros possa cair sem que haja um processo inflacionário."
Por Camila Dias, Filipe Pacheco e Fernando Travaglini * | Valor

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