domingo, 30 de março de 2008

Associação Fazendo Arte Inaugura Telecentro Comunitário

Desde o dia 15 de março, a Associação Fazendo Arte está oferecendo à sua comunidade aulas gratuítas de informática. Quarenta pessoas divididas em quatro turmas (um aluno por computador) já começaram as aulas ministradas por professores voluntários. O curso "Br Office - Informática Básica em Software Livre" terá a duração de 40 horas-aula e aborda os seguintes tópicos: Introdução à Informatica; BrOffice Writer (editor de texto); BrOffice Calc (planilhas); Internet.
O laboratório foi todo montado com recursos próprios e doações. Auxiliaram na execução do projeto as seguintes empresas: Corsi Materiais para Construção, Evolution Security e Unimed Amparo.
As atividades desenvolvidas em laboratório fazem parte do "Projeto Telecentro Comunitário Fazendo Arte", que foi beneficiado pelo "Projeto Computadores para Inclusão" do Ministério do Planejamento com sete computadores e uma impressora. Mais cinco computadores foram doados por empresas e particulares.
O presidente da entidade, João Batista de Godoy, está recebendo inscrições de professores voluntários para ministrarem as aulas, dada a grande procura pela comunidade: "Temos uma fila de espera de quase 100 pessoas".
A Associação Fazendo Arte oferece também aulas gratuítas de Dança de Rua, Dança de Salão, Violão, Ballet, Teatro e Capoeira. No total, a entidade atende a quase 500 pessoas, a maioria é de crianças e adolescentes.
A sua sede fica na Rua Afonso Geremias, 291, Jardim São Dimas, ao lado da Unidade Básica de Saúde.
Contato: fazendoarteamparo@gmail.com / (19) 9280-1730

quarta-feira, 26 de março de 2008

Jornal Estado de Minas fala da tática eleitoral do PCdoB

Produzida pela jornalista Alessandra Mello, a matéria do períodico mineiro apresenta as construções que os comunistas estão fazendo nas principais cidades do estado, onde pretendem lançar candidaturas majoritárias. Confira a matéria.


Sem a sombra dos petistas


Alessandra Mello



Depois de duas décadas aliado ao PT, PCdoB tenta alçar vôo solo em outubro. Em Minas, partido pretende tentar a prefeitura de 21 cidades e concorrer com mil candidatos a vereador.


O PCdoB resolveu sair da sombra do PT, partido com o qual os comunistas se aliaram nas duas últimas décadas, desde a volta do regime democrático. Nas eleições municipais deste ano, a legenda pretende lançar candidaturas próprias em cerca de 400 cidades, principalmente capitais, grandes cidades de regiões metropolitanas em que a disputa ocorre em dois turnos, e municípios com vocação operária. Em Minas Gerais, a situação não é diferente.

Em Belo Horizonte, o namoro de anos das duas legendas acabou. Antes mesmo de o PT começar a discutir abertamente uma composição com o PSDB – tendo como intermediário o PSB, partido do secretário de desenvolvimento Econômico e Social, Márcio Lacerda, cotado para ser o candidato da dobradinha petista/tucana –, a deputada federal e líder da bancada do PCdoB na Câmara, Jô Moraes, já ensaiava sua pré-candidatura. Com a possibilidade dessa aliança inédita, o afastamento das duas legendas ficou mais evidente. “No leque de alianças do governo Lula houve uma aproximação maior do PT com o PMDB e em conseqüência certo deslocamento dos partidos de esquerda”, avalia a deputada, que também preside a legenda em Minas.

Em Betim, na Região Metropolitana, cidade onde PT e PSDB são adversários ferrenhos, o PCdoB sinalizou candidatura própria. O pré-candidato é Geraldo Pimenta, vereador há dois mandatos. O quadro sucessório na cidade ainda não está claro. A única definição é a escolha do candidato que terá o apoio do atual prefeito, Carlaile Pedrosa (PSDB): o deputado estadual Rômulo Veneroso (PV). Na cidade, os comunistas conversam com o PDT e com o PMDB e uma aliança com essas legendas está sendo avaliada. Nas duas últimas eleições, o PCdoB foi aliado do PT na disputa pela Prefeitura de Betim.

Opostos
Já em Contagem, os dois partidos também estarão em campos opostos, como já ocorreu nas eleições de 2000, quando o PCdoB se aliou ao PMDB e apoiou a candidatura do ex-prefeito Paulo Mattos, que acabou não se reelegendo. O candidato do PT foi o deputado estadual Durval Angelo, que também não teve sorte na disputa. O eleito naquele ano foi o deputado estadual tucano Ademir Lucas, pré-candidato do PSDB à sucessão da prefeita Marília Campos (PT). O pré-candidato do PCdoB será o deputado estadual Carlin Moura. Sua candidatura é tida como certa e a possibilidade de apoio à reeleição da prefeita é considerada remota.

Apesar do distanciamento e de já assumir discurso de oposição, Carlin Moura garante que a intenção do partido não é se contrapor ao PT. “O objetivo é fortalecer a esquerda e os movimentos populares e democráticos, para que as conquistas já obtidas pelo governo Lula não sejam em vão”, diz. Segundo ele, a frente de esquerda que tinha o PT como referência durou 17 anos, mas a proximidade do PT com partidos de centro e com a social democracia enfraqueceram essa aliança. “Não podemos deixar os partidos de esquerda com pouca força política, por isso o PCdoB precisa assumir um papel de protagonista nestas eleições”.

Entre as candidaturas no estado estão a de cidades-polo, como Montes Claros, onde o candidato deverá ser o vereador Lipa Xavier, e Governador Valadares, onde o partido já definiu a pré-candidatura da ex-vereadora Rosimeire Mafra. Em Poços de Caldas, o candidato será um vereador que recentemente deixou o PT para se filiar ao PCdoB, Marcos Matavelli, e em Alfenas o vereador Eliacim do Carmo Lourenço, presidente da Câmara Municipal.

Estratégia para crescer no país
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, disse que depois de 15 anos participando das eleições dando prioridade às alianças proporcionais (eleição de deputados estaduais, federais e vereadores) em detrimento das majoritárias (eleição de presidente, governador, prefeito e senador), principalmente com o PT, o partido resolveu mudar de estratégia. “Vamos lançar cerca de 400 candidatos em todo o país. Desde a legalização da legenda nunca tínhamos atingido esse patamar”, afirma Rabelo.

Além da capital mineira, o partido pretende lançar o nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo para disputar a prefeitura da maior cidade do Brasil – São Paulo. Também vai lançar no Rio Grande do Sul, que já foi reduto eleitoral do PT, a candidatura da deputada federal Manuela Dávila, uma das parlamentares mais bem votadas nas eleições passadas.

Além de lutar por mais protagonismo no cenário eleitoral, Rabelo afirma que há um espaço deixado pelo PT que precisa ser preenchido pela esquerda. “Temos que marcar posição. Na disputa pela presidência da Câmara, o PT se aproximou mais do PMDB, deixando de lado o PCdoB, que sempre foi um aliado histórico dos petistas, e aos poucos está deixando o campo da esquerda”, afirmou Rabelo, referindo-se à candidatura à reeleição de Aldo Rebelo, que não contou com o apoio do PT.

Agora, segundo ele, com a tentativa de lideranças do PT de selar um grande acordo com o PSDB na capital mineira, as preocupações do PCdoB são maiores. O temor é que um acordo dessa natureza extrapole a eleição municipal e tenha desdobramentos em 2010. “Esse é um tipo de aliança que, para o PCdoB, é inviável. Ele fere a nossa linha política, pois sempre estivemos em campos opostos aos do PSDB. Além disso, em uma coligação tão ampla como essa que pode vir a ser fechada, o PCdoB teria um papel secundário”. Nas próximas semanas, segundo ele, o PCdoB começa a conversar com os partidos da base aliada do presidente Lula sobre a sucessão na capital mineira e nas cidades mais importantes do estado. “É possível que dessa conversa saia um acordo”, prevê.

Matéria publicada no jornal Estado de Minas de 24/03/2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

Duas Caras e o Racismo



A novela Duas Caras divulga e incorpora, despudoradamente, o livro Não Somos Racistas, odiosa obra do manda-chuva do jornalismo da Globo, Ali Kamel. No mentiroso folhetim - no Brasil fictício da Globo -, brancos ricos estão doidos para se casar com favelados negros. Favelas têm mais brancos do que negros, e alguns negros são riquíssimos. Favelados pobres chegam a estudar nas mesmas universidades que brancos ricos.

Por Eduardo Guimarães, no Cidadania.com



A dramaturgia da Globo é como o Carnaval: provoca paixões e ódios com a mesma intensidade exacerbada. Mas as novelas e "minisséries" da emissora carioca, há que reconhecer, apaixonam pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo.

Essa receita de sucesso é baseada numa fórmula que transforma modelos em "atores" graças a uma edição e a um ritmo das cenas que minimizam a falta de intimidade da maioria amadora dos elencos globais com os palcos. Tudo isso, regado a orçamentos hollywoodianos, faz da dramaturgia global um dos produtos mais exportados pelo Brasil.

Durante décadas a fio, essa dramaturgia de êxito - e de mentira - moldou a mentalidade nacional. A Globo está acostumada a vender todo tipo de comportamento - modismos, conceitos e até pré-conceitos - com seus folhetins encenados.

Mesmo sabendo disso tudo, fiquei surpreso na noite da última terça-feira (11/03) ao ver uma personagem da novela Duas Caras, a mulata e ex-BBB Juliana Alves (Gislaine), lendo um livro que denuncia a estratégia da emissora naquela trama. A moça estava lendo Não Somos Racistas, de Ali Kamel.

Antes de você, leitor, criticar o fato de eu assistir a nada mais, nada menos do que a uma das estúpidas novelas que a tevê brasileira impõe a um público sequioso por lixo televisivo, e de dar seu depoimento de que jamais assistiria a tal porcaria, quero lembrá-lo de que ignorar uma arma de difusão de comportamentos e de mentalidades obtusas como é uma novela das oito da Globo não mudará o fato de que essa arma vem sendo muito efetiva no sentido de falsear a realidade nacional e imbecilizar as pessoas.

Enquanto se torce o nariz à mera possibilidade de levar a sério qualquer coisa que saia do Projac, a Globo vai fazendo a festa. Essa novela, por exemplo, a tal Duas Caras, vem fazendo um dos trabalhinhos mais sujos que já vi na vida. Às vezes fico me perguntando o que sente um favelado que vê uma novela na qual brancos ricos são habitués de favela chamada "Portelinha", a qual, à diferença de qualquer gueto como são as favelas, não abriga tráfico de drogas e adota padrões de organização comunitária quase nórdicos, com ruas limpas, casas bem cuidadas etc.

No Brasil fictício da Globo, brancos ricos estão doidos para se casar com favelados negros. Em Duas Caras, Barretinho (Dudu Azevedo) e Júlia (Débora Falabella), filhos do riquíssimo e ultra-racista advogado Barreto (Stênio Garcia), derretem-se, respectivamente, por Sabrina (Cris Vianna) e Evilásio Caó (Lázaro Ramos), e Claudius (Caco Ciocler) por Solange (Sheron Menezes).

No mentiroso folhetim da Globo, favelas têm mais brancos do que negros, e alguns negros são riquíssimos. Favelados pobres chegam a estudar nas mesmas universidades que brancos ricos. A mesma instituição abriga as negras da portelinha Gislaine e Solange, a perua Maria Eva (Letícia Spiller) e o negro mau-caráter Rudolf Stenzel (Diogo Almeida), que fala a favor de cotas para negros e sobre discriminação racial e, naturalmente, é cabalmente desmentido pela realidade dramatológica global.

A imagem - e a propaganda descarada - do livro de Ali Kamel tem um propósito. Negros e brancos de Duas Caras interagem de acordo com cada vírgula contida na odiosa obra do manda-chuva do jornalismo da Globo.

Na verdade, a sensação que tive foi a de uma pretendida afronta a quem se revolta com o cinismo de Não Somos Racistas. É como se a Globo dissesse: podem falar mal, mas nós temos a televisão que entra em 90% dos lares brasileiros a referendar nossa teoria sobre como amamos nossos irmãos negros.

Eles (a elite branca e sua mídia) dizem que não são racistas. E, como prova, disseminam pelo mundo um país em que não se vê miséria, em que não se vê os indicadores sociais dramáticos dos negros ante os indicadores muito melhores dos brancos, ou os salários inferiores dos negros ante os dos brancos, ou a maior mortalidade infantil dos negros ante a muito menor dos brancos.

Eles são racistas, sim, porque tentam frear a luta por oportunidades iguais para os negros no mercado de trabalho e nas universidades afirmando descaradamente que essas oportunidades existem. Além de racistas, são mentirosos.