quarta-feira, 26 de março de 2008

Jornal Estado de Minas fala da tática eleitoral do PCdoB

Produzida pela jornalista Alessandra Mello, a matéria do períodico mineiro apresenta as construções que os comunistas estão fazendo nas principais cidades do estado, onde pretendem lançar candidaturas majoritárias. Confira a matéria.


Sem a sombra dos petistas


Alessandra Mello



Depois de duas décadas aliado ao PT, PCdoB tenta alçar vôo solo em outubro. Em Minas, partido pretende tentar a prefeitura de 21 cidades e concorrer com mil candidatos a vereador.


O PCdoB resolveu sair da sombra do PT, partido com o qual os comunistas se aliaram nas duas últimas décadas, desde a volta do regime democrático. Nas eleições municipais deste ano, a legenda pretende lançar candidaturas próprias em cerca de 400 cidades, principalmente capitais, grandes cidades de regiões metropolitanas em que a disputa ocorre em dois turnos, e municípios com vocação operária. Em Minas Gerais, a situação não é diferente.

Em Belo Horizonte, o namoro de anos das duas legendas acabou. Antes mesmo de o PT começar a discutir abertamente uma composição com o PSDB – tendo como intermediário o PSB, partido do secretário de desenvolvimento Econômico e Social, Márcio Lacerda, cotado para ser o candidato da dobradinha petista/tucana –, a deputada federal e líder da bancada do PCdoB na Câmara, Jô Moraes, já ensaiava sua pré-candidatura. Com a possibilidade dessa aliança inédita, o afastamento das duas legendas ficou mais evidente. “No leque de alianças do governo Lula houve uma aproximação maior do PT com o PMDB e em conseqüência certo deslocamento dos partidos de esquerda”, avalia a deputada, que também preside a legenda em Minas.

Em Betim, na Região Metropolitana, cidade onde PT e PSDB são adversários ferrenhos, o PCdoB sinalizou candidatura própria. O pré-candidato é Geraldo Pimenta, vereador há dois mandatos. O quadro sucessório na cidade ainda não está claro. A única definição é a escolha do candidato que terá o apoio do atual prefeito, Carlaile Pedrosa (PSDB): o deputado estadual Rômulo Veneroso (PV). Na cidade, os comunistas conversam com o PDT e com o PMDB e uma aliança com essas legendas está sendo avaliada. Nas duas últimas eleições, o PCdoB foi aliado do PT na disputa pela Prefeitura de Betim.

Opostos
Já em Contagem, os dois partidos também estarão em campos opostos, como já ocorreu nas eleições de 2000, quando o PCdoB se aliou ao PMDB e apoiou a candidatura do ex-prefeito Paulo Mattos, que acabou não se reelegendo. O candidato do PT foi o deputado estadual Durval Angelo, que também não teve sorte na disputa. O eleito naquele ano foi o deputado estadual tucano Ademir Lucas, pré-candidato do PSDB à sucessão da prefeita Marília Campos (PT). O pré-candidato do PCdoB será o deputado estadual Carlin Moura. Sua candidatura é tida como certa e a possibilidade de apoio à reeleição da prefeita é considerada remota.

Apesar do distanciamento e de já assumir discurso de oposição, Carlin Moura garante que a intenção do partido não é se contrapor ao PT. “O objetivo é fortalecer a esquerda e os movimentos populares e democráticos, para que as conquistas já obtidas pelo governo Lula não sejam em vão”, diz. Segundo ele, a frente de esquerda que tinha o PT como referência durou 17 anos, mas a proximidade do PT com partidos de centro e com a social democracia enfraqueceram essa aliança. “Não podemos deixar os partidos de esquerda com pouca força política, por isso o PCdoB precisa assumir um papel de protagonista nestas eleições”.

Entre as candidaturas no estado estão a de cidades-polo, como Montes Claros, onde o candidato deverá ser o vereador Lipa Xavier, e Governador Valadares, onde o partido já definiu a pré-candidatura da ex-vereadora Rosimeire Mafra. Em Poços de Caldas, o candidato será um vereador que recentemente deixou o PT para se filiar ao PCdoB, Marcos Matavelli, e em Alfenas o vereador Eliacim do Carmo Lourenço, presidente da Câmara Municipal.

Estratégia para crescer no país
O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, disse que depois de 15 anos participando das eleições dando prioridade às alianças proporcionais (eleição de deputados estaduais, federais e vereadores) em detrimento das majoritárias (eleição de presidente, governador, prefeito e senador), principalmente com o PT, o partido resolveu mudar de estratégia. “Vamos lançar cerca de 400 candidatos em todo o país. Desde a legalização da legenda nunca tínhamos atingido esse patamar”, afirma Rabelo.

Além da capital mineira, o partido pretende lançar o nome do ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo para disputar a prefeitura da maior cidade do Brasil – São Paulo. Também vai lançar no Rio Grande do Sul, que já foi reduto eleitoral do PT, a candidatura da deputada federal Manuela Dávila, uma das parlamentares mais bem votadas nas eleições passadas.

Além de lutar por mais protagonismo no cenário eleitoral, Rabelo afirma que há um espaço deixado pelo PT que precisa ser preenchido pela esquerda. “Temos que marcar posição. Na disputa pela presidência da Câmara, o PT se aproximou mais do PMDB, deixando de lado o PCdoB, que sempre foi um aliado histórico dos petistas, e aos poucos está deixando o campo da esquerda”, afirmou Rabelo, referindo-se à candidatura à reeleição de Aldo Rebelo, que não contou com o apoio do PT.

Agora, segundo ele, com a tentativa de lideranças do PT de selar um grande acordo com o PSDB na capital mineira, as preocupações do PCdoB são maiores. O temor é que um acordo dessa natureza extrapole a eleição municipal e tenha desdobramentos em 2010. “Esse é um tipo de aliança que, para o PCdoB, é inviável. Ele fere a nossa linha política, pois sempre estivemos em campos opostos aos do PSDB. Além disso, em uma coligação tão ampla como essa que pode vir a ser fechada, o PCdoB teria um papel secundário”. Nas próximas semanas, segundo ele, o PCdoB começa a conversar com os partidos da base aliada do presidente Lula sobre a sucessão na capital mineira e nas cidades mais importantes do estado. “É possível que dessa conversa saia um acordo”, prevê.

Matéria publicada no jornal Estado de Minas de 24/03/2008

2 comentários:

Anônimo disse...

Boa tarde amigos do PC do B de Amparo.
Para começar, gostaria de lembrar que não pertenço a nenhuma frente política ou movimento na cidade. No entanto pretendo deixar minha opinião registrada no blog, Sempre que posso leio as postagens para me atualizar das coisas do município.
Este último post refere-se ao reaparecimento e crescimento do partido, de suas conquistas recentes e da força com a qual contará esse ano para as eleições municipais país a fora.
Falando de Amparo, gostaria sinceramente de ver o partido empenhado nas articulações com a situação. Concordo e reconheço certas desavenças ocorridas ao longo destes oito anos, mais afirmo como pessoa e cidadão politizado, que se a esquerda rachar neste pleito, Amparo volta a ser terra das oligarquias, volta ao que conhecemos nas décadas passadas, muitas trocas de favores e pouco empenho.
A juventude que cresceu na cidade na década de oitenta e noventa viu o descaso, viu inchaço, vimos à falta de preparo e os desmandos. Sistemas públicos obsoletos e onerosos, departamentos sucateados, venda de patrimônio para pagamento de dívidas. Concordo também, que as coisas hoje, não são as mil maravilhas, mais quem cresceu na minha época sabe que são de longe melhores os dias de hoje.
São escolas, creches, iluminação, postos de saúde, áreas de lazer, ambulâncias, saneamento básico entre outros.
Reconheço nos comunistas, parcela importante nestas conquistas, pois estiveram juntos em quase todas estas ocasiões e sabem assim como eu que evoluímos como município. Nossos índices de IDH e desenvolvimento econômico são melhores, reflexo do trabalho conjunto de vocês e, são estas coisas que eu não gostaria de perder como amparense. As conquistas de um time unido que um dia acreditou na força da renovação de nossa cidade, acreditou no que parecia impossível e assim foi feito.
Peço por fim aos comunistas que avaliem de verdade a direção que devemos tomar daqui pra frente e acreditar na força política e nas articulações para fecharmos mais uma vez uma frente digna da nossa querida cidade.
Independente da decisão do partido, acredito muito na luta e na renovação, mais acima de tudo a manutenção da tendência na gestão, seja mais esquerda ou mais centrada, que esta continue entre aos que representam o povo de fato e que as velhas oligarquias padeçam nas lembranças de um século que já se foi.

Leandro Rondini 27 anos
Administrador Trainee-São Paulo-SP
leandrorondini@gmail.com

PC do B de Amparo SP disse...

Prezado Leandro,

Agradecemos a sua participação em nosso site. Sua colocação é muito pertinente e pode ter certeza que este assunto é um dos principais temas em nossas discussões.
Apoiamos, reconhecemos e participamos de todas estas mudanças que o sr. citou. Mas, nos últimos tempos a diminuição da participação popular e a falta de objetividade dos projetos afastaram o partido da administração.
Entendemos que a gestão pública deve adotar as novas técnicas administrativas - falo como administrador - , mas o conceito de planejamento estratégico deve ser um meio para as ações práticas e não um fim, ou seja, os projetos são muito bem planejados mas não têm sequência, não são terminados, falta gente para executar e são logo substituídos por outros. Esta é uma das divergências que temos com o atual governo. E, com o crescimento do partido, surgiram idéias próprias dentro do PCdoB que nos credencia como uma alternativa mais avançada e progressista para Amparo, seja com o PT ou com outro partido que tenha afinidade com as nossas propostas.

Saudações Socialistas

João Batista de Godoy
Secretário de Comunicação